terça-feira, 22 de março de 2011
Terremoto na China
O número de mortos no terremoto que atingiu nesta quarta-feira a província de Qinghai, no noroeste da China, subiu para 589, e a quantidade de feridos chega aos 10 mil, indicaram meios de comunicação estatais. O balanço anterior era de 400 mortos. Centenas de militares foram enviados para a região e organizações privadas já começaram a despachar ajuda a partir de Xining, a capital provincial. "Vejo feridos em todo lugar. O maior problema agora é que carecemos de tendas, carecemos de equipamentos médicos, remédios e trabalhadores médicos", disse um porta-voz do condado de Yushu, na Província de Qinghai, à agência de notícias Xinhua.
Mais de 10 mil pessoas ficaram feridas e milhares desabrigadas em temperaturas geladas após uma série de tremores e réplicas que causaram a queda de várias casas na região, feitas de barro, disseram moradores e a imprensa estatal. Uma represa "rachou", informou a Xinhua, e "funcionários estão tentado evitar o vazamento de água". Não está claro o tamanho da represa ou os estragos que podem ser causados com o seu rompimento. "As pessoas estão muito assustadas", disse Pierre Deve, da ONG local Snowland Service Group, acrescentando que muita gente já perdeu as esperanças de resgatar soterrados com vida.
Algumas pontes e estradas ao redor de Yushu foram interrompidas ou ficaram completamente destruídas, o que pode complicar os trabalhos de resgate, disse a televisão estatal. O aeroporto está aberto, mas a rodovia que liga o terminal à cidade foi seriamente danificada, afirmou a TV. Terremotos são comuns no planalto do Tibete, mas costumam causar poucas vítimas por se tratar de uma região pouco povoada. Yushu tem cerca de 100 mil habitantes, espalhados por uma extensa área, mas o sismo atingiu uma região altamente povoada.
Autoridades do governo afirmaram à imprensa estatal que a maioria das casas sofreu danos graves. Fotos mostravam grandes edifícios de concreto intactos, com entulho ao redor. Ao menos cinco pessoas morreram na província vizinha de Gansu, disse a Xinhua. O tremor aconteceu ao amanhecer de quarta-feira (noite de terça no Brasil). Segundo a Xinhua, algumas escolas e parte de um prédio público desabaram. A agência relatou que muitos alunos de escolas primárias e profissionalizantes estavam presos sob escombros, mas moradores disseram que a maioria dos estudantes havia conseguido fugir. "A maioria das escolas em Yushu foi construída bem recentemente e deveria ter conseguido resistir ao terremoto", disse Wang Liling, voluntária da Gesanghua, entidade que ajuda crianças escolares em Qinghai.
Em maio de 2008, a opinião pública chinesa ficou indignada ao ver o desabamento de escolas na província de Sichuan, enquanto edifícios vizinhos ficaram intactos após o terremoto que matou 80 mil pessoas naquela região. O presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao pediram que nenhum esforço seja poupado nas tentativas de resgate, e enviaram o vice-primeiro-ministro Hui Liangyu a Qinghai para acompanhar os trabalhos de emergência, disse a televisão estatal. O líder espiritual tibetano no exílio, Dalai Lama, nascido em Qinghai, disse em comunicado estar rezando pelas vítimas. "É minha esperança que toda a assistência possível e de socorro chegarão a estas pessoas. Também estou explorando como eu, também, posso contribuir para estes esforços", disse o Prêmio Nobel da Paz, acusado por Pequim de promover a independência do Tibete.
Ele diz que simplesmente quer uma maior autonomia significativa para o Tibete. O tremor de quarta-feira teve seu epicentro nas montanhas que dividem a Província de Qinghai da Região Autônoma do Tibete - mais precisamente 250 km a norte-noroeste de Qamdo, no Tibete, e 375 km a sul-sudeste da localidade mineradora de Goldmu, em Qinghai. Segundo o Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA, o foco foi a 10 km de profundidade.
As encostas ao sul e leste do epicentro são habitadas por pastores e por monges tibetanos, enquanto a região ao norte e a oeste é árida e desolada. Um terremoto de magnitude 5,0 havia atingido a região na noite de terça-feira, e réplicas de magnitude 6,0 ou mais causaram pânico durante a manhã de quarta.
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